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Concorrência Heterodoxa – "Resist is futile"
13/02/2009 | Fonte: Mundo do Marketing Artigos   
Os admiradores de Star Trek reconhecem na frase em inglês do título a mensagem repetida pela raça Borg toda vez que “absorviam” outras raças. Também é inútil resistir ao fenômeno da concorrência heterodoxa. Ela já nos “absorveu”.

Há alguns anos, convivemos com o conceito de que os limites da concorrência não são mais ortodoxos. Setores muito distantes e aparentemente desconectados competem entre si, mas muitos planos de marketing ainda incluem o mapeamento de cenários restritos ao seu segmento de atuação. Sem dúvida é um exercício desconcertante incluir negócios que em uma análise superficial não se mostrem concorrentes diretos. Porém, cada vez mais empresas são surpreendidas pela atuação de concorrentes improváveis.

Um dos setores em que o conceito de concorrência heterodoxa é cristalino é o de telefonia celular. Originalmente, a distinção deste produto era a comunicação móvel, ancorando seus benefícios na mobilidade ou na tecnologia de comunicação. Neste sentido, norteando o desenvolvimento de novos produtos, algumas empresas direcionaram features e diferenciais em avanços tecnológicos de comunicação e outras na mobilidade. Estas últimas agregaram uma tendência poderosa: a convergência – ou seja, a unificação de diversos produtos em um só para que um mesmo aparelho atenda diferentes necessidades.

Hoje, a diversidade de uso dos celulares nos ensinam que as fronteiras da concorrência heterodoxa são muito flexíveis. Podem envolver comunicação (neste caso, a competição inclui telefonia e internet) ou então captura de imagens fixas ou em movimento (a competição inclui também máquinas digitais/fotográficas e filmadoras). Ou ainda agenda (competição que incluí agendas eletrônicas), acesso à internet (competição com provedores), compra (competição com modalidades de pagamento), jogos (competição com diversos tipos de passatempo), calculadoras, envio e recebimento de e-mails, etc, etc, etc.

O conceito de concorrência heterodoxa envolve, além de outros segmentos, players que possuem competências essenciais capazes de absorver parte do seu mercado. E muitas vezes não são óbvios. Quer um exemplo ainda em telefonia? Os players atuantes neste segmento eram oriundos de tecnologia, até que a Nokia – originalmente um fabricante de borracha e pneus, decidiu que possuía competências essenciais para entrar no páreo. Voltamos ao início: seu plano de Marketing contempla apenas seu segmento? Não está na hora de repensar?

Beth Furtado é autora dos livros "Singularidades no Varejo", "Horizontes de Consumo" e "Desejos Contemporâneos" e é sócia-diretora da ALIA, empresa que articula e decodifica conhecimentos, conteúdos e pesquisas e os materializa sob a forma de pensamento estratégico, novos negócios, estratégias de inovação, novos produtos, alternativas de distribuição, experiências de compras, posicionamento de marca e de comunicação, palestras e workshops.
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