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Qual é o impacto do supply chain no Natal?
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17/12/2009
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Fonte: Inbrasc
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Noticias
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O fim do ano está chegando e as empresas prevêem vender mais em função do Natal e das festas típicas da época. A correria de consumidores às compras exige um trabalho diferenciado de empresas de produtos sazonais. E para melhor realizar esse trabalho, é fundamental ajustes na logística para garantir sucesso na forte demanda que o momento oferece.
O Inbrasc buscou respostas para essas empresas. José Roberto Fornazza, vice-presidente do Instituto e especialista em supply chain, e Carlos Panitz, presidente do Instituto e gerente de Planejamento de Materiais e Logística da MWM International, responderam questões para as empresas se planejarem melhor e não deixar a “peteca cair” na correria do fim do ano.
Que tipo de produto você acha não pode faltar no fim do ano?
Fornazza: O período de fim de ano representa o “pico” de consumo para quase todo tipo de produto. Tem mais dinheiro circulando (décimo - terceiro salário, gratificações, etc..), e o ‘clima de consumo’ incentiva as pessoas a gastarem em presentes, produtos comestíveis diferentes, trocar o carro, a geladeira. Mas o que realmente não pode faltar, eu incluo em duas categorias: os produtos alimentícios de época e os produtos ‘presenteáveis’.
Panitz: Para qualquer empresa, não dispor de um produto na quantidade, local e momento em que o cliente planeja comprá-lo é a coisa mais indesejável possível. Nesses casos a empresa é penalizada de três formas simultaneamente: Perde a venda, dá a venda para o concorrente e o cliente está exposto a um outro produto, do qual ele pode gostar mais e romper com a fidelidade que existia com o produto habitual. Mas falando em final de ano, este tema é particularmente importante para empresas que possuem produtos sazonais. Passado o período propício para a venda, o que tiver sido produzido, mas não disponibilizado a tempo para a comercialização se torna perda para as empresas, ou por obsolescência ou por comprometimento de margens.
Alguma vez você não o achou?
Fornazza: Acabou de acontecer. Procurei um livro para presentear meu filho em uma das grandes livrarias de São Paulo e veja o que ocorreu: o sistema indicava que havia 1 exemplar na loja, mas ninguém conseguiu localizá-lo, isto é, venda perdida para a loja.
Panitz: Sim, como consumidor, várias vezes não encontrei. Aliás, é uma boa prática perguntar para o consumidor no momento do check-out se ele encontrou tudo que ele estava procurando. Essas informações podem auxiliar na revisão do sortimento da loja e na estimativa dos custos de ruptura de estoques.
Qual recomendação você daria para as empresas que não querem estocar muito, mas que não poder se darem ao luxo de não ter disponibilidade de produtos?
Fornazza: Investir durante o ano todo em processos de estimativas de vendas.
Panitz: Conhecer muito bem a demanda (volumes, sortimento, SKU’s), os estoques dos canais de distribuição e os ‘leadtimes’ da cadeia. Portanto, práticas como Sales & Operations Planning, VMI (Vendor Management Inventory) e Planejamento Colaborativo (CPFR – Continuous Planning Forecast and Replenishment) podem fazer a diferença quando o desafio é um alto ‘fill rate’ aliado com baixos estoques.
Que tipo de relação você acha que as empresas devem estabelecer com os fornecedores considerando que dependem da disponibilidade de produtos e possuem alto giro de estoque?
Fornazza: Desenvolver processos de planejamento colaborativo. Passar o máximo de informações a todos os elos da cadeia a respeito das estimativas de vendas.
Panitz: Um bom planejamento de longo prazo, avaliar preventivamente potenciais gargalos, visibilidade de informação em nível de execução e ressuprimento e acordos de fornecimento que estabeleçam compromissos de entregas claros.
Qual você acha que é o impacto em empresas de bens de consumo sazonais?
Fornazza: O produto que será consumido nesse Natal já deve estar disponível nos pontos de venda, ou estocado muito próximo deles. O impacto nesse tipo de cadeia é muito semelhante ao que ocorre com ovos de Páscoa e outros itens com forte sazonalidade. A preparação de estoques antecipados e sua movimentação no momento certo são fundamentais para bons resultados em estoques e para evitar as ‘sobras’ que deverão ser liquidadas rapidamente.
Panitz: Muito mais severo do que para empresas de bens de consumo em geral. Passado o momento da venda, que geralmente é uma data festiva, o produto se torna obsoleto ou de pouco valor para o cliente.
Quais recomendações você daria para esta empresa de modo a não produzir demais (não sobrar produtos) e não deixar faltar na mesa dos brasileiros?
Fornazza: Produtos sazonais requerem um planejamento meticuloso, com a definição da data de início de construção dos estoques, o conhecimento dos tempos de transporte até os principais clientes e uso intenso da capacidade produtiva nos momentos próximos ao pico da sazonalidade. De novo, minha recomendação é investir fortemente nos processos de estimativas de vendas, que é o início de tudo.
Panitz: A estratégia de suprimento e manufatura deve ser montada de forma a ter maior flexibilidade do que uma empresa que experimenta demandas estáveis. Em mercados sazonais (onde a falta e a sobra tem um impacto muito severo sobre o resultado da empresa), usar um horizonte muito longo de previsão amplia os riscos de ocorrer um desses dois extremos. Cada empresa deve avaliar quais são as reais possibilidades e custos para desenvolver uma estratégia de suprimentos e capacidade flexíveis e comparar com os custos de sobras e perdas de vendas decorrentes dos eventuais erros de previsão.
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