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A qual área Compras deve estar subordinada?
22/10/2009 | Fonte: Inbrasc Noticias   
A cultura empresarial sempre foi propensa a valorizar mais os profissionais de Vendas do que os de Compras, possivelmente em função das atribuições de cada área. E o que tem sido feito para reverter esse cenário? Como Compras deve estar estruturada, ou melhor, a qual área ela deve estar subordinada para que consiga garantir os melhores resultados, de acordo com os planos estratégicos corporativos?

Em busca dessa resposta, o Inbrasc entrevistou mais de dez importantes executivos de diferentes empresas para desvendar o dilema: A qual área Compras deve estar subordinada? Finanças, Supply Chain ou Operações?

Para Marcos Reis, gerente de Compras da Nec Brasil, responder para Finanças pode não ser a melhor opção. Ele acredita que a área ainda fica em segundo plano nas prioridades das diretorias financeiras. Segundo ele, existem outras áreas que recebem maior prioridade e o foco de Finanças vai ser sempre muito centrado em menores custos e melhores preços. É o que também pensa Daniel Lourenço, gerente de compras da Boehringer Ingelheim, que ressalta que Finanças tem pouco conhecimento de análises qualitativas, processos e novas tecnologias.

Já a coordenadora de Compras da Sabó Auto Peças analisa de forma diferente, mesmo também respondendo a uma diretoria financeira. Beatriz Nomura, que já respondeu para a área Industrial, acredita que estar subordinada a área Financeira é a melhor opção e ressalta que hoje as decisões são tomadas seguindo um foco mais estratégico, acompanhadas de análises financeiras, estudos, itens que eram deixados para trás na administração anterior.

Veja a entrevista com Marcos Reis, gerente de Compras da NEC Brasil, subordinado a Finanças.


Solange Gouveia, coordenadora de Suprimentos da Bebidas Ipiranga, responde para Operações. Ela acredita ser mais ágil a resposta para tomada de decisões em processos rotineiros, mas o maior problema ainda é a falta de planejamento dos profissionais que trabalham na área, além do fluxo de aprovação ser mais burocrático para grandes projetos. A Syngenta também possui essa mesma estrutura. Roberto Godoy, gerente de Compras Indiretas, concorda que a área de produtivos deve ser subordinada a operações por estar inteiramente ligada a tudo o que é necessário para produzir, mas discorda quanto à própria área. “Compras Indiretas deveria estar ligada a finanças para facilitar pagamentos, questões fiscais e aprovações de custos internos”, diz.

Veja a entrevista com Roberto Godoy, gerente de Compras da Syngenta, subordinado a Operações.

Responder para uma diretoria de Supply Chain pode ser a melhor opção. Luis Cláudio Grandino, comprador da Adams, apesar do pouco tempo respondendo para essa área, acredita que o resultado tem sido bom, pois os executivos possuem a mesma linguagem técnica, o que torna o processo mais objetivo. Assim como Grandino, Leonardo Reis, supervisor de Compras da Cryovac, diz que a liderança de Supply Chain tem mais subsídios por ter maior conhecimento em Compras.

Veja a entrevista com Leonardo Reis e Cláudio Duarte, supervisor de Compras e gerente de Supply Chain da Cryovac Embalagens, subordinados a Supply Chain.


O que se pode afirmar é que a subordinação da área irá depender diretamente da estratégia corporativa e da estratégia de atendimento (Make to Order, Assembly to Order, Design to Order e Make to Stock). Finanças pode ser a melhor opção para assegurar a utilização dos recursos financeiros, ter rapidez na aprovação de projeto e maior foco na governança corporativa. Por outro lado, é uma área pouco comprometida em planejar o crescimento de Compras. Já Operações mostra-se eficiente principalmente nas empresas que trabalham no modelo Make to Order, dado a proximidade que área de compras precisa manter com a produção, mas deixa de lado a agilidade na aprovação de projetos. Tendo estas análises em vista, uma diretoria de Supply Chain bem estruturada, revela-se como a área mais bem avaliada pelos entrevistados, por ter mais foco no sucesso de Compras, possuir a mesma linguagem e ter visão de todo o processo.

ÁREA SUBORDINADA

VANTAGENS  

DESVANTAGENS   

 

FINANÇAS

Assegura utilização dos recursos financeiros
Rapidez nas decisões dos gastos
Agilidade na aprovação de projetos
Análises financeiras estratégicas
Foco em governança corporativa
Controles mais rígidos
Se encaixa muito bem nas compras indiretas,  por  ter um envolvimento maior com a parte fiscal, financeira, facilitando na aceitação dos departamentos

Geralmente foca apenas custo
Deixa de lado análises qualitativas
Pouco acompanhamento das necessidades e evolução do departamento
Atraso no envio de feedback dos projetos
Pouco conhecimento em tecnologia e processos

OPERAÇÕES

Mostra-se eficiente principalmente nas empresas que trabalham no modelo Make to Order (veja dicionário de Supply Chain), dado a proximidade que área de compras precisa manter com a produção

Falta de planejamento
Fluxo de aprovação mais burocrático
Falta preocupação e conhecimento da esfera fiscal-financeira
Tem prioridade na produção e não nos custos e savings

 

SUPPLY CHAIN

Mais foco em compras
Maior dedicação com o departamento
Maior interação com a área de logística e de planejamento
Facilidade de calcular sempre o “custo total”
Profissionais com a mesma linguagem técnica
O líder tem mais subsídio de argumentação por possuir conhecimento na área

Risco de perder viés financeiro e de negociação
Dependendo da política da empresa, divergências de interesses podem ocorrer, uma vez que há o risco da logística puxar a prioridade para o nível de serviço e compras para a redução dos custos e do capital de giro
Se a diretoria de supply chain não abraça operações (manufatura, produção), a área de compras pode perder agilidade quando a empresa adota uma estratégia Make to Order ou Assembly to Order - (veja dicionário de supply chain)

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